É possível erradicar células cancerígenas em três dias?

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Um novo estudo revelou que alterar a estrutura da cromatina nas células cancerígenas torna-as mais vulneráveis a serem destruídas.

Dentro do núcleo das células encontra-se o ADN enrolado em proteínas conhecidas como histonas. O ADN e as histonas formam a cromatina.

A função da cromatina consiste em “empacotar” o código genético de forma organizada dentro no núcleo da célula. A cromatina regula também a activação e desactivação dos genes. Todavia, com as células cancerígenas a cromatina ajuda-as a evoluírem e a adaptarem-se aos tratamentos contra o cancro, permitindo que sobrevivam.

Vadim Backman e equipa, da Faculdade de Engenharia Mc Cormick da Universidade Northwestern, EUA, especularam se poderiam alterar a cromatina para combater a resistência das células cancerígenas aos fármacos usados no tratamento da doença.

Através de uma técnica inovadora desenvolvida recentemente que permite a monitorização da cromatina em cultura celular e em tempo real, os investigadores descobriram que a cromatina possui uma “densidade de empacotamento” associada à expressão genética que ajuda as células cancerígenas a resistirem aos tratamentos.

Foi observado que as células cancerígenas sobreviviam mais à quimioterapia, quanto mais heterogénea e desorganizada fosse a densidade de empacotamento da cromatina. Um empacotamento mais organizado e conservador estava, pelo contrário, associado a uma maior morte celular em resposta à quimioterapia.

A equipa especulou então que se se alterasse a estrutura da cromatina para a tornar mais organizada, as células cancerígenas ficariam mais vulneráveis à quimioterapia.

Depois de mais estudos, a equipa decidiu alterar os electrólitos no núcleo das células cancerígenas através de dois fármacos que têm a capacidade de alterar a densidade de empacotamento da cromatina: celecoxib, usado como analgésico, e digoxina, usado para a fibrilação auricular e insuficiência cardíaca.

A combinação dos fármacos causou algo extraordinário, segundo as próprias palavras dos investigadores: “no espaço de 2 ou 3 dias quase todas as células cancerígenas morreram porque não conseguiam responder. A CPT [abreviatura para “chromatin protection therapeutics” ou terapia de protecção da cromatina] não mata as células; reestrutura a cromatina. Se se bloquear a capacidade das células de evoluírem e se adaptarem, é o calcanhar de Aquiles das mesmas”, explicou Vadim Backman.

 

Estudo publicado na revista “Nature Biomedical Engineering”

 

[via]

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