Caminhos entrelaçados no jardim do tempo
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No banco de madeira desgastado de um jardim silencioso e sereno, onde o tempo parecia estar suspenso entre as folhas das árvores e os raios de sol que dançavam no chão, estava sentado um homem que carregava o peso das experiências acumuladas. A sua mente divagava entre lembranças e pensamentos, como as páginas amareladas de um caderno que já tinha visto imensas histórias.
Enquanto ele se entregava a essa contemplação, os seus olhos encontraram-se com os de um menino loiro de olhos azuis, trajando roupas velhas e rotas e descalço. O menino parecia um eco de um tempo esquecido, uma criança abandonada pela realidade, com um olhar que transcendia as circunstâncias físicas da sua aparência. O seu rosto inocente, apesar de abandonado, carregava uma mistura de aflição e esperança, como se estivesse prestes a revelar um segredo profundo e antigo.
O menino começou a circular em torno do homem no banco, os seus passos desenhavam linhas invisíveis no chão. Cada passo era uma tentativa subtil de atrair a atenção do homem para além das fronteiras daquele mundo tangível. O homem, inicialmente perdido nos seus próprios pensamentos, começou a perceber a presença persistente do menino. Os seus olhares cruzavam-se ocasionalmente, mas o homem estava hesitante em mergulhar naqueles olhos azuis que pareciam carregar a essência de um passado partilhado.
Enquanto o sol dourado lançava sombras sobre o banco de jardim, o menino tornou-se mais ousado na sua tentativa pela conexão. Ele parecia ser uma criança de outra vida, uma infância perdida que permanecia viva dentro de cada ser humano. Era como se o menino representasse uma parte esquecida daquele homem, uma criança interior à espera de redenção e reconhecimento.
O homem, intrigado e sensibilizado pela aura transcendental do menino, finalmente permitiu que os seus olhos se encontrassem e se conectassem completa e profundamente. Num instante, uma corrente invisível de partilha e memórias fluiu entre eles. A criança interior daquele homem, há muito tempo negligenciada, agora manifestava-se diante dele na forma deste menino descalço e desamparado.
Num simples gesto, o homem estendeu a sua mão ao menino, convidando-o a partilhar o banco e, simbolicamente, a atravessar a luz que separava o presente do passado. Em silêncio, eles partilharam um momento de reconexão, reconciliação e cura. O menino, agora reconhecido, sorriu como se um peso tivesse saído dos seus ombros, e o homem sentiu uma leveza de espírito.
Enquanto o sol se despedia no horizonte, o homem e o menino continuaram a partilhar sorrisos e silêncios, como se as palavras fossem desnecessárias naquele espaço atemporal. Aquele banco de jardim tornou-se mais do que um lugar físico: transformou-se num ponto de convergência entre duas existências, um portal onde o passado e o presente estavam em harmonia.
O Anjo da Noite