HPV pode viver escondido na garganta
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O vírus do papiloma humano (HPV) pode esconder-se, aglomerado em pequenas bolsas, na superfície das amígdalas de indivíduos que não sabem que têm o vírus, indicou um novo estudo.
Conduzido por uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Rochester, o estudo poderá ser muito relevante para prevenir os cancros da boca e orofaringe que se desenvolvem na língua e amígdalas.
As estirpes de HPV 16 e 18 que causam o cancro do útero, causam igualmente os cancros do pescoço e da cabeça. É possível detectar o vírus antes que se desenvolva o cancro do útero, o que não é possível para os cancros da cabeça e pescoço.
Apenas cerca de 5% dos indivíduos infectados com o HPV desenvolvem cancro da boca ou da orofaringe, o que parece sugerir que o sistema imunitário pode resolver as infecções provocadas pelo vírus. Mas então porque é que o sistema imunitário não protege os 5% que desenvolvem cancro?
Os investigadores neste estudo consideram que a razão poderá estar associada a biofilmes que são camadas finas e viscosas de bactérias.
A análise de amostras de tecido de 102 pacientes que tinham sido submetidos a amigdalectomias electivas revelou cinco amostras com HPV, quatro das quais possuíam as estirpes HPV 16 e 18.
Em cada caso foi detectado HPV nos biofilmes, dentro de minúsculas bolsas na superfície das amígdalas, conhecidas como criptas amigdalinas, onde é frequente desenvolverem-se os cancros da cabeça e pescoço relacionados com o vírus.
A equipa considera que o HPV é libertado da amígdala durante uma infecção e fica preso no biofilme, onde poderá estar protegido de um ataque do sistema imunitário. O vírus permanecerá nas criptas até ter uma oportunidade de causar uma infecção ou invadir o tecido da amígdala e desenvolver cancro.
O próximo passo será o desenvolvimento de antimicrobianos tópicos que possam penetrar no biofilme e permitir que o sistema imunitário destrua o vírus.
Via: Estudo publicado na revista “JAMA Otolaryngology – Head and Neck Surgery”, Artigo