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Imagem gerada por Inteligência Artificial, ilustrando a relação entre humanos e tecnologia.

A Inteligência Artificial está destruir a confiança das pessoas nas empresas

A Inteligência Artificial está a tornar a produção de conteúdo mais fácil do que nunca. O problema é que comunicar com pessoas continua a exigir algo que nenhuma máquina consegue gerar automaticamente: intenção humana.

A internet está a ficar saturada de conteúdos gerados por Inteligência Artificial. O problema é que as pessoas já começaram a perceber.

O problema de hoje em dia é que muitas empresas começaram a utilizar quase exclusivamente ferramentas de Inteligência Artificial para comunicar com os seus clientes e potenciais clientes. E é aqui que começa o verdadeiro problema.

Vivemos um momento fascinante na história da tecnologia. O mundo está impressionado com as capacidades da Inteligência Artificial. Existem ferramentas capazes de escrever textos, criar imagens, produzir vídeos, criar músicas de cantores falsos, criar influenciadores totalmente artificiais, gerar websites e até construir campanhas de marketing completas em poucos minutos.

É, sem dúvida, um dos avanços tecnológicos mais impressionantes das últimas décadas.

 

Mas antes de continuar, importa esclarecer o ponto deste artigo:

Este artigo não é uma crítica à Inteligência Artificial. Muito pelo contrário. Sou profundamente a favor da evolução tecnológica e utilizo regularmente ferramentas de IA no meu trabalho e no dia-a-dia. Mas utilizo-as como aquilo que realmente são: ferramentas. Nunca como substituto do pensamento humano.

 

A verdade é que a tecnologia pode ajudar-nos a trabalhar mais depressa. Pode ajudar-nos a organizar ideias, explorar possibilidades ou acelerar processos criativos.

Mas aquilo que constrói confiança entre pessoas continua a ser algo muito mais simples: autenticidade, intenção e humanidade.

É precisamente aqui que começa a surgir um fenómeno curioso.

Nos últimos anos assistimos a uma verdadeira explosão de conteúdo gerado por Inteligência Artificial (AI generated content), também conhecido como conteúdo automatizado. Empresas, marcas e até profissionais começaram a produzir textos, imagens, websites e publicações inteiras de forma automática.

A quantidade de conteúdo disponível online nunca foi tão grande. E quanto mais conteúdo automático aparece, mais rapidamente as pessoas aprendem a reconhecê-lo.

Quando isso acontece, algo fundamental começa lentamente a desaparecer: confiança.

A internet nunca produziu tanto conteúdo

Nunca foi tão fácil produzir conteúdo para a internet. Hoje qualquer pessoa consegue criar artigos, imagens ou até páginas completas de um website em poucos minutos utilizando ferramentas de Inteligência Artificial.

Para muitas empresas isto pareceu uma revolução. Produzir conteúdo rapidamente. Publicar todos os dias. Criar presença digital em escala.

Mas a história da tecnologia mostra-nos um padrão interessante. Sempre que algo se torna extremamente fácil de produzir, acontece quase sempre a mesma coisa: o valor médio desse conteúdo começa a diminuir.

Estamos a entrar numa fase em que a internet está a ser inundada por conteúdos automáticos. E quando tudo começa a parecer igual, as pessoas deixam lentamente de prestar atenção.

Hoje vemos muitas vezes os mesmos estilos de imagens, as mesmas estruturas de texto e as mesmas construções de frases repetidas em dezenas de sites e redes sociais. Como consumidores de informação, começamos a ficar inconscientemente saturados de tanta repetição.

AI Slop: o fenómeno que começa a preocupar especialistas

Nos últimos tempos começou a surgir um termo curioso no mundo digital: AI Slop.

O termo AI Slop é utilizado para descrever grandes quantidades de conteúdo de baixa qualidade produzido automaticamente por Inteligência Artificial e publicado em massa na internet.

A expressão refere-se à enorme quantidade de conteúdos gerados automaticamente por Inteligência Artificial que começam a saturar a internet. Artigos produzidos em segundos. Imagens criadas em massa. Publicações automáticas repetidas diariamente.

Conteúdo tecnicamente correcto, mas muitas vezes vazio de intenção.

Nunca foi tão fácil produzir palavras. Mas produzir palavras não é o mesmo que comunicar.

A internet começa a ficar cheia de conteúdo… mas cada vez mais vazia de significado.

Mas afinal, porque é que o conteúdo gerado por Inteligência Artificial pode afectar a confiança nas empresas?

Porque é que o conteúdo gerado por Inteligência Artificial pode começar a destruir confiança?

Existem três razões principais:

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1. Saturação de conteúdo
Nunca foi tão fácil publicar textos, imagens e vídeos. Quando tudo se torna abundante, o valor médio do conteúdo diminui.

2. Falta de intenção humana
Ferramentas de IA conseguem gerar palavras, mas muitas vezes não conseguem transmitir experiência real, contexto ou pensamento crítico.

3. Dificuldade em distinguir o que é real
À medida que conteúdos artificiais se multiplicam, torna-se cada vez mais difícil para o público distinguir comunicação genuína de comunicação automatizada.

É neste ponto que a confiança começa lentamente a desaparecer.

O cérebro humano detecta conteúdo artificial

O cérebro humano é extremamente sensível a padrões. Mesmo quando não sabemos explicar exactamente porquê, conseguimos sentir quando algo parece artificial.

Nos textos gerados por Inteligência Artificial surgem frequentemente sinais subtis. Frases demasiado perfeitas. Estruturas repetitivas. Mensagens genéricas que poderiam servir para qualquer marca.

Nas imagens geradas por IA os sinais tornam-se ainda mais evidentes. Apesar da evolução impressionante destas ferramentas, muitas continuam a ter dificuldades em algo bastante simples: escrever correctamente.

É cada vez mais comum encontrar imagens com palavras mal escritas, acentos incorrectos ou frases que parecem português mas que simplesmente não fazem sentido.

São pequenos detalhes. Mas suficientes para activar um alerta inconsciente. Algo parece artificial. E quando algo parece artificial, a confiança diminui.

O mito dos likes nas redes sociais

Durante muitos anos criou-se uma obsessão com métricas de popularidade: likes, reacções e visualizações.

Mas estas métricas raramente mostram a história completa.

Existe uma diferença enorme entre interacção superficial e interesse real.

Interacção superficial inclui reacções rápidas e alguns segundos de atenção.

Interesse real envolve algo muito diferente: clicar num link, ler um artigo, explorar um website, comprar um produto ou procurar mais informação.

Os dados de telemetria de websites mostram frequentemente exactamente isso.

Até profissionais começam a publicar informação errada

Existe outro fenómeno que começa a surgir com alguma frequência.

As ferramentas de Inteligência Artificial conseguem produzir textos com aparência extremamente credível. A linguagem parece científica, a estrutura parece sólida e o conteúdo parece convincente.

Mas existe um detalhe importante.

A Inteligência Artificial não compreende verdade científica. Trabalha com probabilidades baseadas nos dados com que foi treinada.

Se esses dados contêm erros ou simplificações, esses erros podem ser reproduzidos.

O problema é que quando informação incorrecta começa a circular online, pode espalhar-se milhares de vezes antes de alguém perceber que está errada.

E quando isso acontece, a confiança nas fontes começa a desaparecer.

Quando a publicidade também começa a ser gerada por IA

Esta tendência já começa a aparecer em campanhas publicitárias reais.

Algumas grandes marcas já começaram a experimentar campanhas publicitárias criadas com Inteligência Artificial. A Palmolive, por exemplo, apresentou uma personagem totalmente gerada por IA nas suas redes sociais, enquanto outras campanhas de marcas globais já recorreram a imagens e vídeos criados artificialmente. Até campanhas experimentais de publicidade gerada por IA já recriaram anúncios de marcas conhecidas como Colgate, Uber ou KFC.

Ao mesmo tempo começaram também a aparecer influenciadores totalmente artificiais, criados digitalmente, que acumulam milhões de seguidores.

Mas isto levanta uma questão importante: até que ponto os consumidores conseguem distinguir o que é real do que é artificial?

Exemplo de publicidade criada com Inteligência Artificial:

Outro exemplo de campanha criada com recurso a IA:

O argumento da economia

Um dos argumentos mais comuns para justificar o uso massivo de Inteligência Artificial na comunicação é simples: reduzir custos.

Poupar algumas dezenas de euros na criação de conteúdo pode significar perder milhares em clientes que nunca chegam a confiar na marca.

Quando um website parece genérico, quando os textos soam automáticos ou quando as imagens parecem artificiais, os visitantes percebem isso quase imediatamente.

E quando a confiança diminui, as pessoas saem.

O futuro provável da internet

É possível que nos próximos anos a internet atravesse uma fase curiosa. Uma enorme quantidade de conteúdo automático produzido em massa, seguida por uma procura crescente por fontes humanas credíveis.

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Tal como aconteceu noutras fases da história da tecnologia, aquilo que é abundante tende a perder valor. E aquilo que é raro torna-se mais valioso.

Em resumo

O crescimento do conteúdo gerado por Inteligência Artificial está a transformar profundamente a comunicação digital. A facilidade de produzir textos, imagens e campanhas automáticas levou muitas empresas a utilizar estas ferramentas de forma massiva.

No entanto, quando a comunicação perde intenção humana, algo essencial começa a desaparecer: confiança.

Em termos simples, quanto mais fácil se torna produzir conteúdo automático, mais difícil se torna construir confiança real.

Num ambiente digital cada vez mais saturado de conteúdo automático, marcas que conseguem comunicar de forma genuína, clara e humana poderão destacar-se precisamente por aquilo que a tecnologia ainda não consegue replicar.

Se a internet continuar a encher-se de conteúdos automáticos, o conteúdo genuinamente humano poderá tornar-se precisamente aquilo que mais se destaca.

A vantagem continua a ser humana

Curiosamente, quanto mais a internet se enche de conteúdos artificiais, mais valor ganha aquilo que é genuinamente humano.

No final do dia, por mais avançada que seja a tecnologia, as decisões continuam a ser tomadas por pessoas.

E pessoas continuam a confiar em pessoas.

Devem então as empresas deixar de usar Inteligência Artificial?

Não.

A Inteligência Artificial pode ser extremamente útil.

A diferença está em utilizá-la como ferramenta e não como substituto do pensamento humano.

Se a comunicação da sua empresa precisa de voltar a parecer humana

Na minha agência RCW Digital Agency trabalhamos precisamente com empresas que querem evitar este problema.

Acreditamos numa ideia simples: as marcas existem para comunicar com pessoas, não com algoritmos.

Utilizamos tecnologia, naturalmente. Mas nunca deixamos que a tecnologia substitua aquilo que realmente faz a diferença: pensamento humano, estratégia e intenção.

Porque no final do dia, por mais avançada que seja a tecnologia, as decisões continuam a ser tomadas por pessoas.

E pessoas continuam a confiar em pessoas.

Quanto mais conteúdo artificial existir na internet, mais valioso se tornará aquilo que é verdadeiramente humano.

Talvez o verdadeiro desafio da Inteligência Artificial não seja aquilo que ela consegue fazer.
Talvez seja aquilo que nós deixarmos de fazer por causa dela.

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rickyunic

Um projecto com mais de 20 anos, onde apresento e abordo assuntos que me interessam a cada momento da vida. Desde humor, a saúde, passando pela tecnologia, a sexualidade e a espiritualidade. Tudo é válido neste espaço. Conto consigo para passar um bom momento a dois.
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