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Quando deixámos de nos amar?

Uma reflexão sobre a sociedade actual, a desconfiança e a forma como nos estamos a afastar uns dos outros.

 

Quando?
Alguém me sabe explicar?

Que merda é esta de hoje em dia,
toda a gente entra num espaço
já de punhos fechados,
como se o mundo estivesse à espera
de lhes roubar qualquer coisa?

Quando?

Quando é que começámos a medir cada palavra
a olhar para o outro como se fosse o inimigo,
a decifrar cada gesto
e até desconfiar de um silêncio?

Foda-se, desaprendemos o básico?

Foi num dia?
Num evento?
Foi um acumular de eventos
que ninguém quis ver?

Foi quando nos fechámos em casa?
Cada um a alimentar os seus medos.
A temer as pessoas… o mundo…
ou aquilo em que nos estávamos a tornar?

Foda-se, expliquem-me.

Quando deixámos de nos amar uns aos outros?
De confiar?
De acreditar sequer em nós próprios?

Ou será que nunca soubemos?

Onde está o amor?

Pelo outro,
pelos pais,
pelos irmãos…
por nós?

O mundo ficou assim tão mau?
Ou será que fomos nós que fizemos merda
e agora fingimos que não se passa nada?
Que temos vidas perfeitas?

Já nos esquecemos de como se ama?
Ou só amamos quando é conveniente?

Vamos continuar a viver como se fôssemos inimigos?

Já nem conseguimos olhar para alguém
sem que fique estranho.

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O outro desconfia.
Nós desviamos o olhar.
E depois queixamo-nos da solidão.

E assim vamos.

Será que alguém ligou um interruptor?

Não.

Foi devagar.
Fomos nós.
Aos poucos.

Comparações.
Julgamentos rápidos.
Tudo descartável.
Até as pessoas.

E no meio disto tudo,
pessoas cansadas.

CANSADAS!

Mas cansadas de quê?
De fingir?
De competir?
De nunca serem suficientes?

E gente cansada fecha-se,
endurece,
afasta…
e chama a isso “proteger-se”.

Foda-se.

vivemos todos na mesma casa
e ainda assim
tão distantes.

Que nojo!

Nojo de aparências.
De vidas perfeitas.
De gente sem alma.

E pior,
sabemos tudo isto
e não mudamos nada.

Amem-se uns aos outros, caralho.

Ou então continuem assim.

Fechados no vosso medo,
a fingir que isto é viver.

Pobres de nós.

Porque no fundo
sabemos.

E ainda temos a coragem
de chamar a isto normal.

Temos mais formas de falar do que nunca
e nunca dissemos tão pouco.

Vão-se amar.

A sério.

A vós próprios.
E aos outros.

Foda-se.
E ainda estás aqui.

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rickyunic
rickyunic

Um projecto com mais de 22 anos, onde apresento e abordo assuntos que me interessam a cada momento da vida. Desde humor, a saúde, passando pela tecnologia, a sexualidade e a espiritualidade. Tudo é válido neste espaço. Conto consigo para passar um bom momento a dois.
Peace and Love.
Carpe diem.
Namastê.

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