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Há experiências que não têm nome... apenas sentimos

Há experiências que não têm nome… apenas sentimos

Há experiências, memórias e sentimentos que todos conhecemos, mas para os quais não encontramos palavras. Um texto sobre aquilo que sentimos sem saber explicar.

Há experiências tão humanas que todos as vivemos, mas tão silenciosas que ainda ninguém lhes deu um nome.

 

Entrar numa casa onde já não mora ninguém.

Sentir nostalgia por um lugar onde nunca estivemos.

Esperar pela resposta a uma mensagem importante.

Passar uma noite acordado a ouvir o silêncio absoluto.

Tocar em alguma coisa de alguém que já morreu.

Sentir um cheiro que nos faz voltar vinte anos no tempo.

Descobrir que já não se ama alguém.

Voltar a um lugar que mudou menos do que nós.

Perceber que um sonho antigo já não faz sentido.

Sentir o silêncio que fica numa casa depois de uma visita ir embora.

Deixar de esperar uma mensagem que antes esperávamos todos os dias.

Entrar no contacto de alguém apenas para ver a fotografia e voltar a sair.

Entrar num quarto e sentir que ele ainda guarda a presença de quem já partiu.

Encontrar um cabelo branco e perceber que o tempo já começou a escrever em nós.

Dizer o nome de alguém em voz alta só para ouvir como ainda soa.

Ouvir a chuva e saber que não temos de sair de casa.

Perceber que estamos a repetir uma frase que jurámos nunca dizer, igual aos nossos pais.

Olhar para uma fotografia e lembrarmo-nos mais do momento do que da imagem.

Acabar um livro ou um filme que não queríamos que terminasse.

Ouvir uma música e, antes da primeira palavra, regressar a outra fase da vida.

Sentir saudades de alguém que nos fez mal.

Começar a ser feliz depois de um período muito difícil e sentir culpa por isso.

Perceber que já não somos a mesma pessoa que escreveu um diário antigo.

Ver uma luz acesa numa janela distante e imaginar uma vida inteira lá dentro.

Perceber que nunca mais voltaremos a ver uma pessoa sem sabermos que essa foi a última vez.

Não reconhecer a nossa própria voz numa gravação.

Entrar no quarto onde crescemos e perceber que já não nos pertence.

Ler uma conversa antiga e já não reconhecer a pessoa que a escreveu.

Pegar no telefone para ligar a alguém e lembrar, um segundo depois, que essa pessoa já morreu.

Sentir o silêncio estranho depois de uma discussão quando já não há mais nada para dizer.

Perceber o dia em que um sítio deixa de parecer casa.

Descobrir que uma amizade acabou sem nunca ter havido uma despedida.

Dar por nós a sorrir sozinhos ao recordar uma memória que mais ninguém conhece.

Deixar de sentir falta de alguém sem saber quando isso aconteceu.

Rir de alguma coisa e, no instante seguinte, lembrar-nos de alguém que já não está cá para rir connosco.

Descobrir que já não nos lembramos da voz de alguém.

Apagar uma mensagem inteira antes de a enviar.

Não fazer absolutamente nada e, pela primeira vez, não sentir culpa por isso.

 

É por isso que algumas memórias nos visitam sem sabermos exactamente porquê, que certas pessoas continuam a viver em nós muito depois de terem partido, que um cheiro, uma música ou uma fotografia conseguem abrir portas para lugares onde já não podemos voltar. Existem coisas que nunca chegaremos a explicar, não porque não tenham significado, mas porque há sentimentos que existem antes das palavras e permanecem depois delas. Sentimos primeiro, tentamos compreender depois e, quando procuramos uma forma de dizer aquilo que aconteceu dentro de nós, percebemos que nenhuma palavra consegue chegar exactamente ao lugar onde tudo começou. Há coisas que não têm nome porque ainda não encontrámos a palavra certa para lhes chamar. Ou porque, para algumas delas, nenhuma palavra será alguma vez suficiente.

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Um projecto com mais de 22 anos, onde apresento e abordo assuntos que me interessam a cada momento da vida. Desde humor, a saúde, passando pela tecnologia, a sexualidade e a espiritualidade. Tudo é válido neste espaço. Conto consigo para passar um bom momento a dois.
Peace and Love.
Carpe diem.
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