O “bullying” afecta a saúde mental da criança; mas durante quanto tempo?A ler em 2 min.

 

As consequências negativas do “bullying” na infância têm tendência a desaparecer com o tempo, sugere um estudo recente.

O “bullying” sofrido na infância pode causar na vítima consequências graves no seu bem-estar e saúde mental, reflectidos em sintomas como depressão, ansiedade e experiências semelhantes a psicoses. Torna-se assim importante perceber como afecta a criança e por quanto tempo.

O estudo efectuado por investigadores de várias instituições liderados por Jean-Baptiste Pingault, da Universidade College London, Inglaterra, procurou dar resposta àqueles dois factores, de forma a possibilitar a definição de intervenções adequadas a casos de “bullying”.

A equipa decidiu basear o seu estudo sobre os efeitos do “bullying” e duração dos mesmos em gémeos, de forma a controlar o impacto de ambientes partilhados e de factores genéticos.

Para a sua investigação, a equipa contou com dados recolhidos do Estudo do Desenvolvimento Inicial dos Gémeos (“Twins Early Development Study”), entre 2005 e 2013, e que abrangia 11.108 gémeos. Os participantes tinham, em média, 11 anos de idade na altura da primeira avaliação, e 16 na altura da última avaliação.

Os investigadores avaliaram os níveis de ansiedade, impulsividade, depressão, hiperactividade, falta de atenção, problemas de conduta e experiências do tipo psicótico nas crianças quando aquelas tinham 11 e 16 anos de idade.

Como resultado, a equipa confirmou que sofrer “bullying” na infância causava ansiedade, depressão e experiências semelhantes a psicoses. No entanto, aqueles sintomas diminuíam ou desapareciam com o passar do tempo.

A ansiedade, por exemplo, permanecia até dois anos, mas eram inexistentes cinco anos mais tarde. Os pensamentos paranoides e desorganizados (espécies de psicoses) tendiam a desvanecer cinco anos após o “bullying”.

Apesar de este estudo apresentar algumas limitações, os investigadores consideram que se deve trabalhar preventivamente com as crianças de forma a que aquelas aumentem a sua resiliência caso sejam vítimas de “bullying” pelos colegas.

 

Estudo publicado na “JAMA Psychiatry”

 

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